Reforma Tributária: Prorrogada para 2027 a exigência de CNPJ para pessoas físicas
29/06/2026OPINIÃO DO ESPECIALISTA
IFRS 18: você está preparado para o novo EBTIDA?
Mudança na esfera contábil impacta a análise gerencial dos resultados a partir de 2027, demandando a atenção de decisores
Por Marluci Azevedo
A IFRS 18 (CPC 51), cuja vigência se inicia em 1º de janeiro de 2027, representa uma mudança estrutural relevante na forma como o desempenho financeiro das companhias será apresentado, interpretado e utilizado pela alta gestão.
Indicadores como o EBITDA, nesse novo contexto, exigem atenção. A norma combate a subjetividade que muitas vezes aparecia ligada aos cálculos desse índice.
Mais do que uma atualização, a IFRS 18 redefine a lógica da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), com impactos diretos em governança, sistemas, plano de contas e processos de fechamento.
Em essência, trata-se de uma transição de um modelo de apresentação flexível para um modelo mais padronizado e comparável globalmente, com efeitos diretos na forma como o mercado e a gestão interpretam performance.
Nova estrutura da DRE e reorganização do desempenho
A mudança central da IFRS 18 está na nova estrutura da DRE, que passa a organizar receitas e despesas em três grandes categorias: operacional, investimento e financiamento. Essa reorganização altera de forma significativa a leitura do resultado e a forma como o desempenho é segregado e analisado.
Além disso, a norma reforça princípios mais rigorosos de agregação e desagregação de informações, exigindo maior consistência na forma como os dados são apresentados. Isso impacta diretamente a construção de subtotais e a visibilidade do lucro operacional.
A divulgação das Management Performance Measures ou Medidas de desempenho (MPMs) passa a ser obrigatória nas notas explicativas. O objetivo é ampliar a transparência e o alinhamento entre as medidas de desempenho comunicadas ao mercado e o padrão contábil internacional.
Na prática, as MPMs já eram utilizadas, mas não havia padronização ou clareza sobre como tais medidas se conciliavam com os valores apresentados nas demonstrações financeiras. Como exemplo, o EBITDA e EBITDA ajustado, passam a ser formalmente regulados em termos de divulgação.
Atualmente, o cálculo do EBITDA tem como fórmula: EBIT (lucro antes de juros e tributos) + Depreciação + Amortização, podendo conter ainda ajustes adicionais que podem levar a distorções – uma das questões que a IFRS 18 irá sanar.
Impactos operacionais: plano de contas, sistemas e fechamento
A implementação da IFRS 18 exige uma revisão profunda da estrutura contábil e operacional das empresas. O plano de contas precisa ser readequado à nova lógica de classificação econômica, o que afeta diretamente o modelo de escrituração e consolidação dos resultados.
Do ponto de vista sistêmico, os ERPs e ferramentas de reporte precisam suportar a nova estrutura da DRE e garantir consistência no fechamento contábil. Isso torna o processo multidisciplinar e mais dependente de integração entre áreas.
Veja também: IFRS 18: entenda o que está mudando e como isso afeta sua empresa
Dados comparativos de 2026 e o desafio da transição
Em 31 de dezembro de 2027, portanto, devem ser emitidas as demonstrações financeiras anuais aplicando a IFRS 18. Mas a adequação deve ser iniciada o quanto antes.
Isso porque um dos pontos mais sensíveis da aplicação da norma é a necessidade de organizar os dados comparativos de 2026 sob a nova ótica. Em termos práticos, o que ocorre é que deverá ser apresentada a reconciliação entre cada item da DRE divulgada de acordo com o IAS 1 versus a IFRS 18 para o período comparativo. Isso exige a reconstrução histórica das informações financeiras e a reclassificação de resultados.
Esse processo eleva o nível de complexidade da transição e exige planejamento antecipado, sob risco de comprometer a comparabilidade entre períodos e a confiabilidade da informação reportada.
Impactos para a gestão na leitura de performance
É fundamental destacar que o impacto da IFRS 18 não está restrito à contabilidade, mas à forma como a gestão interpreta resultados. A estrutura da DRE influencia diretamente a leitura do lucro operacional, dos indicadores de desempenho e dos relatórios gerenciais utilizados na tomada de decisão.
Isso implica a necessidade de recalibrar modelos de análise, uma vez que o formato da informação financeira será estruturalmente alterado. Em outras palavras, não é apenas o número que muda, mas a forma de leitura do desempenho.
Gestores e tomadores de decisões na esfera financeira devem compreender pontos principais da mudança para não serem surpreendidos com informações em um novo formato.
Riscos e pontos de atenção para a alta gestão
Sob a ótica de governança, três pontos merecem atenção especial: o risco de desalinhamento entre reporte contábil e gerencial, a complexidade da reconstrução de dados históricos e a dependência de sistemas integrados para garantir consistência das informações.
A ausência de coordenação entre contabilidade, tecnologia e controladoria pode gerar distorções nesse processo de transição.
IFRS 18: suporte para uma implementação segura
A Domingues e Pinho Contadores traduz o impacto técnico dessa nova realidade, garantindo que as decisões do negócio continuem sendo tomadas sobre bases seguras.
Do diagnóstico à implementação, passando pelo ajuste de práticas contábeis, fiscais, operacionais e sistêmicas que atendam aos novos requisitos, conte com o apoio consultivo da DPC. Entre em contato e agende uma reunião: dpc@dpc.com.br.

Autora: Marluci Azevedo, sócia na Domingues e Pinho Contadores.
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