ITCMD em 2026: novas regras podem encarecer a transmissão de patrimônio
24/08/2026OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Reforma Tributária: a EFD-Contribuições como chave para a utilização de créditos de PIS/Cofins
Empresas devem promover diagnóstico da EFD-Contribuições para correções, ajustes e correto levantamento de créditos a recuperar
Por Marluci Azevedo
A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), ao substituir o ao PIS e à Cofins a partir de 1º de janeiro de 2027, inaugura uma nova dinâmica no aproveitamento de saldos credores. Empresas e seus gestores precisam compreender desde já o impacto disso e como a EFD-Contribuições desempenha papel fundamental nesse novo momento.
Como orientado pela Receita Federal, embora o PIS e a Cofins estejam previstos para serem extintos a partir de 2027, a EFD-Contribuições não será imediatamente descontinuada. Isso porque essa obrigação acessória será utilizada gerir os saldos credores remanescentes, atender aos prazos legais de fiscalização e de retificação de informações.
Um ponto a reforçar é que a empresa não perderá os saldos credores de PIS/Cofins acumulados. Tais créditos poderão ser utilizados para compensação de débitos da CBS, ressarcidos em espécie ou compensados com outros tributos federais.
A utilização desses créditos será operacionalizada via PER/DCOMP Web, que contará com um novo mecanismo: o Pedido de Utilização de Crédito (PUC). Por meio dessa nova funcionalidade, as empresas vão informar como pretendem utilizar os saldos credores de PIS e Cofins acumulados até 31 de dezembro de 2026.
Relação ente o Pedido de Utilização de Crédito e a EFD-Contribuições
Há um ponto de atenção: haverá a recuperação automática do saldo informado na EFD-Contribuições. O saldo credor a constar nos Registros 1100 (PIS) e 1500 (Cofins) referente à competência dezembro/2026 será o dado recuperado pelo PER/DCOMP Web.
Com isso, essa escrituração cresce em importância, revelando-se um documento essencial nessa nova fase. Ou seja, é a EFD-Contribuições, em especial seu Bloco 1000, que carregará essa informação fiscal tão relevante, com potencial de impacto ao caixa da empresa.
E nesse contexto, a qualidade do dado escriturado será determinante para o negócio. Erros, omissões ou inconsistências inviabilizarão a compensação ou o ressarcimento dos créditos. Dessa forma, essa obrigação acessória precisa contar com especial acompanhamento técnico para que não haja exposição a riscos.
O que fazer agora para assegurar a recuperação de créditos PIS/Cofins
É comum encontrar falhas no Bloco 1000 da EFD-Contribuições, seja pela aglutinação de saldos de competências distintas, discrepâncias com o Bloco M, lançamentos equivocados de créditos extemporâneos, entre outros erros. Ocorre que, na transição para o novo modelo tributário, essas divergências têm mais peso, comprometendo o processo de recuperação de créditos.
Diante dessa mudança, a empresa precisa se dedicar, de imediato, a tratar e retificar as EFDs, apropriar créditos extemporâneos, sanear o Bloco 1000, realizando um diagnóstico fiscal completo da declaração.
A seguir, veja algumas ações recomendadas:
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Etapa do projeto |
Ações prioritárias |
Objetivo prático |
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Fase 1: Diagnóstico integrado (Imediato) |
Cruzamento entre EFD-Contribuições, razão contábil e histórico do PER/DCOMP. |
Mapear possíveis divergências. |
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Fase 2: Varredura (Próximos meses) |
Revisão de insumos, fretes, imobilizado e outros créditos, apropriação fundamentada de extemporâneos. |
Regularizar os Registros 1100/1500 e maximizar a recuperação de valores antes do fechamento. |
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Fase 3: Retratar o momento (Dez/2026) |
Fechamento e transmissão do arquivo da EFD-Contribuições conciliado. |
Garantir que a base recuperada automaticamente no PER/DCOMP Web reflita a realidade da empresa. |
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Fase 4: Processo de formalização (2027) |
Submissão do PUC e acompanhamento das opções estratégicas entre compensação com CBS ou ressarcimento. |
Preservar o fluxo de caixa e garantir a homologação ágil. |
Apoio para a estratégia de utilização de saldos credores do PIS/Cofins
O ideal é que a empresa possa contar neste momento com uma avaliação especializada da qualidade dos Registros 1100 e 1500, com devidos cruzamentos prévios, e apoio para ajustes necessários. É preciso enxergar esse diagnóstico como uma janela de oportunidade no caminho de transição para a CBS e para esta nova fase imposta pela Reforma Tributária.
A Domingues e Pinho Contadores atua nessa revisão técnica, apoiando negócios na varredura, na conciliação, na identificação de créditos a recuperar e no conjunto de melhores práticas fiscais. Conte com esse suporte: dpc@dpc.com.br.

Autora: Marluci Azevedo, sócia na Domingues e Pinho Contadores.
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